Algumas palavras sobre a formação do psicanalista...
A preocupação com a formação do profissional da psicanálise esteve presente logo em seguida ao seu aparecimento, quando Freud, seu criador, deu-se conta que estava às voltas com algo real, a condição mental humana, porém abstrato, nas suas variadas manifestações, que, em si, não se condiciona definitivamente dentro de uma forma específica, está sempre evoluindo ou com a condição de evoluir, e que poderia dar margem a muitos equívocos.

Deste modo, Freud estimulou a criação da International Psychoanalytical Association (Associação Internacional de Psicanálise) (IPA) para congregar as diferentes sociedades de psicanálise nos diferentes países e regulamentar a formação do psicanalista. Atualmente, cada sociedade de psicanálise constitui no seu interior o "Instituto de Psicanálise", que proporciona a formação analítica nos moldes desenvolvidos pela IPA. De modo que a formação analítica, nos diferentes países e nas diferentes sociedades, apresenta muitas similaridades, desde que sejam componentes da IPA.

A formação do psicanalista não se reduz a um aprendizado intelectual, é uma vivência, um aprimoramento que se faz dentro da sua condição pessoal.

Geralmente quem se candidata à formação em psicanálise são médicos, psicólogos, já com algum tempo de formado e com alguma experiência de contato com o lidar com o mundo mental.

Para a pessoa fazer a formação em psicanálise ela, inicialmente, candidata-se a uma entrevista junto à "comissão de seleção" do instituto de psicanálise da Sociedade componente da IPA à qual ela se dirige, onde são avaliadas as suas condições para o contato com o exercício da atividade psicanalítica.

Uma vez aprovada na entrevista, a pessoa tem a possibilidade de iniciar o seu processo de formação psicanalítica.

Esta formação está baseada em um tripé: 1 - análise pessoal, 2 - seminários teóricos e clínicos, 3 - supervisão.

Especifiquemos um pouco mais cada um deles:

1- Análise pessoal

A pessoa em formação inicia um processo de análise pessoal junto a um psicanalista ligado ao instituto de psicanálise da sociedade, com quatro sessões semanais, que terá a duração mínima de 5 anos. Este é considerado há muito tempo, e isto está cada vez mais consolidado, como a parte mais importante do tripé. Na sua análise pessoal, a pessoa entrará em contato com a sua própria condição mental e às suas manifestações, aos aspectos inconscientes da sua pessoa, e à sua capacidade de elaboração, condição sem qual não poderá verdadeiramente entrar em contato com outra mente.

2- Seminários teóricos e clínicos

Após geralmente um ano de o candidato estar realizando a sua análise pessoal ele passa a ter a condição de freqüentar os seminários teóricos e clínicos. Onde ele passa a estudar temas e abordagens da psicanálise já sob o viés dirigido da prática clínica e não do exercício meramente especulativo e intelectual.

3 - Supervisão

Após alguns anos de análise pessoal, de participação em seminários clínicos e teóricos, o candidato inicia a etapa da supervisão, onde, por dois anos apresentará semanalmente um caso em que trabalha a um analista didata, que o auxiliará na detecção e condução das características e possibilidades da mente da pessoa que está sendo atendida. Os institutos exigem dois ou três casos de supervisão dentro do processo de formação, cada um com duração de dois anos de acompanhamento.

Ao final destas etapas a pessoa candidata-se a uma apresentação perante a comissão de ensino onde será aprovada ou não como membro associado da sociedade de psicanálise.

Como é possível perceber a formação do psicanalista é extensa e exige muita dedicação e investimento, e não poderia ser diferente, pois se propõe a entrar em contato com a área nobre do ser humano que é a sua condição mental.

E, além de tudo, de uma certa forma, como todo o campo da ciência, sempre o psicanalista busca o seu aprimoramento, a cada dia estuda e entra em contato com diferentes possibilidades do tratar com a condição mental de cada indivíduo.